segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A HISTÓRIA DAS COISAS

O curta metragem The Story of Stuff (A história das Coisas) disponível na internet, lançado em 2005, dirigido por Louis Fox, elenco com Annie Leonard e classificação livre é um documentário reflexível sobre como o consumismo desenfreado é gerado e quais suas consequências sobre os seres humanos e o meio ambiente em que vivem.


Modelo atual da "Economia de Materiais"
O filme começa mostrando qual é o nosso atual modelo de consumo chamado de “A Economia de Materias”, que é um sistema falaz por ser linear, visto que vivemos num planeta finito onde os recursos um dia vão acabar considerando também que a maioria das fontes renováveis de recursos vem de fora do planeta, o sistema ideal seria um modelo cíclico que apenas tê-lo não resolveria o problema, há uma logística muito mais complexa por traz de tudo isso.

Modelo ideal da "Economia de Materiais"
Todo esse processo envolve pessoas (trabalho), que tem seu poder de decisão minimizado pelos governos e corporações. O governo que tem a função ou deveria ter de zelar pelos cidadãos desenvolve políticas que beneficiam o poder das corporações, visto que as mesmas detêm a maior parte do dinheiro do mundo. Como fazem isso? 
Um bom exemplo é a privatização de empresas ou serviços, que é o processo de venda de uma empresa ou serviço do setor público - que integra o patrimônio do Estado - para o setor privado, com isso o povo fica na mão de empresários que visam o lucro.

Poder de decisão
Com menor poder de decisão, os consumidores são estimulados explicitamente a consumir de maneira desenfreada.

Extração
A primeira etapa desse processo é a extração. A extração sem escrúpulos é a maior responsável pela degradação do planeta, poluição e extinção da fauna e flora. Aí encontramos nossa primeira barreira desse sistema, estamos ficando sem recursos naturais, não por utilizar muito, mas por utilizar mais do que o necessário.

“Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. 
Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome”. Mahatma Gandhi

Compra de créditos de carbono
Gostaria de ressaltar aqui uma coisa muito interessante, a compra de créditos de carbono, que são certificados emitidos para uma pessoa ou empresa que reduziu a sua emissão de gases do efeito estufa (GEE). Corresponde aproximadamente a comprar uma permissão para emitir GEE. O preço dessa permissão, negociado no mercado, deve ser necessariamente inferior ao da multa que o emissor deveria pagar ao poder público, por emitir GEE. Para o emissor, portanto, comprar créditos de carbono no mercado significa, na prática, obter um desconto sobre a multa devida.

Uma medida interessante é o balanceamento do ciclo do carbono que corresponde a, um potencial poluidor investe em políticas ambientais, como por exemplo, o reflorestamento em países menos desenvolvidos, com isso ele ganha o direito de poluir mais. Contudo esse modelo também não funciona, pois a cada ano a emissão de poluentes aumenta, as florestas diminuem com o desmatamento nos países subdesenvolvidos que veem seu desenvolvimento atrasado pela adoção dessas políticas. É triste ver que as políticas acima acabam favorecendo mais o mercado do que o ambiente, a compra de créditos de carbono não passa de uma autorização aos países desenvolvidos o “direito de poluir”.

Outro dado alarmante é o fato de quando os recursos de países desenvolvidos estão se esgotando eles vão e “pegam”, porque essa é a palavra, de países subdesenvolvidos pagando taxas a preço de banana para conseguirem mais desenvolvimento, poluir mais e impedir o desenvolvimento e competição por recursos naturais de países emergentes. Sociologicamente os cidadãos do terceiro mundo não são donos dos recursos naturais e nem dos meios de produção.

Produção
Passamos então para a produção. A produção é a parte do sistema onde recursos naturais são misturados a químicos tóxicos com o uso de energia (petróleo, o carvão, a energia nuclear ou a hídrica) para produzir produtos contaminados. Esses químicos tóxicos têm efeitos negativos tanto para a saúde humana como para a saúde ambiental, dois exemplos, o uso de agrotóxicos pela agricultura e do Bisfenol A. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) agrotóxico é toda substância capaz de controlar uma praga, em sentido amplo, que possa oferecer risco ou incômodo às populações e ambiente. O uso negligente de agrotóxicos tem causado diversas vítimas fatais, além de abortos, fetos com malformação, câncer, dermatoses e outras doenças.

Agrotóxicos
Quando mal utilizados, os agrotóxicos podem provocar três tipos de intoxicação: aguda, subaguda e crônica. Na aguda, os sintomas surgem rapidamente. Na intoxicação subaguda, os sintomas aparecem aos poucos: dor de cabeça, dor de estômago e sonolência. Já a intoxicação crônica, pode surgir meses ou anos após a exposição e pode levar a paralisias e doenças, como o câncer. Sem contar aqui os efeitos sinérgicos dos tóxicos, que é o resultado das combinações dos vários tóxicos.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o uso intenso de agrotóxicos leva a degradações profundas dos recursos naturais - solo, água, flora e fauna -, irreversível em alguns casos, levando a desequilíbrios biológicos e ecológicos.

Composição química do Bisfenol A
O segundo exemplo é o uso do Bisfenol A (BPA) em mamadeiras de plástico. Presente no policarbonato, um tipo de plástico rígido e transparente, e também na resina que reveste latas de alimentos, o BPA, simula no organismo a ação do hormônio estrogênio, podendo causar desequilíbrio no sistema endócrino.

Existem áreas de incerteza, decorrentes de novos estudos, que mostraram que o BPA pode ter um efeito sobre o desenvolvimento, a resposta imune e na promoção de tumores.

Todos os materiais artificiais são desconhecidos dos processos da natureza. O mesmo acontece com o Bisfenol A. E daí pode se extrapolar a todas estas moléculas artificiais, como é o caso do Bisfenol A.

As pessoas que mais sofrem com os químicos são os trabalhadores, visto que os mesmos ficam expostos por mais tempo a eles. Há um processo de êxodo de ambientes com ecossistemas e economias erodidas que os sustentaram esses trabalhadores durante a vida para as cidades onde terão de trabalhar à custa da degradação da saúde para conseguir o sustento.

Batemos então na nossa segunda barreira desse sistema, a poluição. Poluição entende-se a introdução pelo homem, direta ou indiretamente de substâncias ou energia no ambiente, provocando um efeito negativo no seu equilíbrio, causando assim danos na saúde humana, nos seres vivos e no ecossistema ali presente.

A poluição causada aqui é diferente da causada na etapa da extração, os tóxicos incluídos na produção causaram maiores efeitos na etapa do tratamento de lixo, porém existem os subprodutos da poluição que são liberados durante o processo de produção dos bens de consumo. Conhecidos como Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) são compostos altamente estáveis e que persistem no ambiente, resistindo à degradação química, fotolítica e biológica. Os principais subprodutos da poluição são a dioxina subproduto da combustão, especialmente de plásticos; da manufaturação de produtos com cloro e de processos resultantes da produção de papel e os furanos subprodutos relacionado com dioxinas.

Uma medida muito mesquinha e medíocre adotada por países desenvolvidos para tentar solucionar o problema da emissão de poluentes em suas nações é essa, veja que simples, eles simplesmente pegam suas fábricas potencialmente poluentes e as instalam em países subdesenvolvidos justamente para poluírem lá e eles conseguirem mais recursos aumentando o nível de produção e diminuindo assim a poluição em seus países conseguindo mais crédito para poluir mais com a redução de carbono em seus países.

Contudo os inteligentes não pensaram que vivemos numa biosfera formada por populações, comunidades, ecossistemas e biomas, resumindo toda essa poluição volta para seus países através dos ventos, logo, todo o planeta é prejudicado com isso.

Distribuição
A terceira etapa do nosso sistema é a distribuição. A distribuição é responsável por fazer com que os produtos cheguem ao consumidor mediante a venda, que é a simples troca de dinheiro por produtos contaminados. O objetivo aqui é manter os preços baixos, a custa de salários baixos e restrição do acesso aos planos de saúde para os funcionários, com as pessoas comprando os produtos em constante movimento.

Outro fator que faz com que os preços dos produtos se mantenham baixos é a exteriorização do verdadeiro custo da produção que significa dizer que não pagamos o verdadeiro valor das coisas, pois alguns valores não são contabilizados, tais como mão de obra barata e extração de recursos naturais para a produção. Quem paga são as pessoas da extração com a perda de espaço dos seus recursos naturais, o pessoal da produção com a perda de ar puro e com o aumento de doenças, o pessoal da distribuição com a falta do direto ao seguro de saúde, tudo isso não entra na contabilidade.

A economia de escala também é um dos fatores para a produção de baixo custo. É ela que organiza o processo produtivo de maneira que se alcance a máxima utilização dos fatores produtivos envolvidos no processo, procurando como resultado baixos custos de produção e o incremento de bens e serviços. Isso ocorre quando a expansão da capacidade de produção de uma empresa ou indústria provoca um aumento na quantidade total produzida sem um aumento proporcional no custo de produção.

Isso tudo quer dizer, todo produto deve, necessariamente, ter uma grande previsão de consumo para viabilizar a escala de produção e diluir os seus custos.

Distribuição e consumo
Chegamos então num momento transcendental desse sistema, a passagem da etapa da distribuição para a etapa do consumo que é o coração do sistema a prioridade de proteção do governo e das corporações, que são as compras.

Consumidores, nossa principal identidade. Nosso valor é medido e demonstrado pelo quanto contribuímos pelo consumo.

“Os meios de transporte e comunicação em massa, às mercadorias, casa, alimento, roupa, a produção irresistível da indústria de diversão e informação, trazem consigo atitudes e hábitos prescritos, certas reações intelectuais e emocionais, que prendem os consumidores aos produtos. Os produtos doutrinam, manipulam, promovem uma falsa consciência. Estando tais produtos à disposição de maior número de indivíduos e classes sociais, a doutrinação deixa de ser publicidade para tornar-se um estilo de vida”. 
Herbert Marcuse

O fetiche é criado pela própria mercadoria com seu poder de sedução, na qual ela trará prazer e satisfação, que gera uma necessidade no indivíduo mesmo que esta não exista. Mas isso não se dá de forma inconsciente, pois o indivíduo quer fazer parte da massa, ele precisa ter e consumir aquilo que os outros têm e consomem para tentar se igualar ao outro, e esse comportamento é captado pelo marketing para manipular o desejo do indivíduo. A indústria cultural obtém assim, uma homogeneização dos comportamentos, e a massificação do sujeito.

Esse coração foi criado em comum acordo com o governo, as corporações e o analista financeiro Victor Lebouw, que disse:

“A nossa enorme economia produtiva exige que façamos do consumo nossa forma de vida, que tornemos a compra e uso de bens em rituais, que procuremos a nossa satisfação espiritual, a satisfação do nosso ego, no consumo. Precisamos que as coisas sejam consumidas, destruídas, substituídas e descartadas a um ritmo cada vez maior”.

Grande parte da difusão dessa ideia é apregoada pela mídia, cotidiano, propaganda e a moda.

O entretenimento,  as paisagens audiovisuais, o espetáculo e a estetização do cotidiano, são vistos como norteadores dos padrões econômicos e socioculturais do mundo moderno, bem como a visualidade e a sonoridade, como estruturantes da subjetividade e do discurso do sujeito, que se por um lado, desfaz a crença  em uma subjetividade nata e imutável, por outro cria  uma subjetivação hegemônica, padronizada.

“A mídia pareceria entender, pois, um dos aspectos mais transparentes da iniciativa privada, ou seja, a mutabilidade constante do produto a ser vendido. Essa assertiva indicaria que os manejadores da mídia, dela conhecendo os caminhos por vezes escusos, podem ter passado por empresas as mais diferentes e participado do esforço do marketing visando ao lançamento de produtos, entendendo-se do creme dental a um trator. Contaminado, esse agente que manobra a mídia, ou dela integrante, incensará hoje um músico do "povão", que será fatalmente substituído amanhã”.
Carlos Benedito Martins

O principal objetivo da economia é produzir mais bens de consumo, e não cuidados médicos, educação, transporte, sustentabilidade e justiça. Mas, como adotamos inconscientemente esse sistema cruel? Foi por meio da obsolescência.

Confesso que nunca tinha ouvido falar desse termo fui conhecê-lo quando já estava no segundo ano do ensino médio assistindo esse mesmo documentário, para vocês verem como essa ideologia não é difundida, é o tal do obscurantismo.

Obsolescência
Obsolescência é a condição que ocorre a um produto ou serviço que deixa de ser útil, mesmo estando em perfeito estado de funcionamento, devido ao surgimento de um produto tecnologicamente mais avançado. Existem dois tipos de obsolescência que seguem as seguintes filosofias:

Obsolescência planejada – “criado para ir para o lixo”, fazer as coisas para irem o mais rápido possível para o lixo e voltarmos a comprar.

Obsolescência perceptível - nos convence a jogar coisas fora que são ainda perfeitamente uteis, mudando apenas a aparência das coisas.

A mídia ajuda a esconder partes do sistema e nos mostra apenas a parte interessante. Temos mais coisas, mas nosso nível de felicidade vem caindo, justamente porque temos mais coisas e menos tempo para o que realmente nos faz felizes.

Estamos num ciclo vicioso de acordamos para trabalhar num emprego degradante, compramos coisas que não precisamos, vemos propagandas constantemente nas mídias que estimulam o consumismo e trabalhamos mais para podermos pagar a divida que fizemos comprando coisas que não precisávamos.

Tratamento de lixo
Enfim chegamos a ultima etapa do processo o tratamento de lixo. Além da grande quantidade de lixo que é produzido todos os dias (aproximadamente 1,5kg) um dos maiores problemas é a forma como esse lixo é descartado.

Os aterros, apesar de proibidos, continuam sendo usados majoritariamente como forma de descarte, mas há um processo que gera muito mais danos, a incineração e posterior aterro, as duas formas poluem o ar, o solo, a água e alteram o clima. A incineração libera os tóxicos da produção e criam novas tóxicos super poderosos.

Uma alternativa encontrada por grandes países produtores de lixo para contornar essa situação foi à exportação de resíduos, que consiste no traslado do lixo para outros países a fim de serem lá descartados. Essa não é a melhor solução visto que vivemos numa biosfera onde todos estão ligados e os efeitos de um afeta o todo.

Reciclagem
A reciclagem ajuda sim, reduz o lixo na extremidade direita e reduz a pressão para minerar e colher mais recursos na extremidade esquerda, mas reciclar não é o suficiente é muito lixo, e grande parte do lixo não pode ser reciclada.

Só nós temos a oportunidade, e por que não dizer o dever, de criarmos alternativas sustentáveis que possam substituir esse modelo altamente destrutivo.

Estamos em crise, porém há pessoas salvando florestas, trabalhando na produção limpa, direitos do trabalho, comércio justo, consumo consciente e no bloqueio de aterros e incineradores, e muito importante em recuperar nosso governo.

Oxalá essas vozes sejam ouvidas e fomentem um expressivo movimento de mudança cultural que possa originar um modelo menos agressivo ao planeta e aos seus habitantes.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

CRÍTICA AO CURTA “HOJE EU NÃO QUERO VOLTAR SOZINHO”

Cartaz do filme
Hoje Eu não Quero Voltar Sozinho é um curta brasileiro (17min.) lançado no dia 10 de abril de 2014, dirigido por Daniel Ribeiro e estrelando os jovens atores Ghilherme Lobo, Fabio Audi, Tess Amorim entre outros, tem como gênero o drama e o romance e classificação indicativa de 12 anos.

O curta é uma pequena parte de uma história realmente delicada e sutil. O enredo traz a história de Leonardo (Ghilherme Lobo) um jovem cego de nascença que enfrenta problemas na escola por isso, seu sofrimento só não é maior porque conta com a ajuda de sua melhor amiga Giovana (Tess Amorim), que o auxilia em todas as suas limitações por não enxergar.
Guilherme Lobo, Tess Amorim e Fabio Audi

No período da adolescência a identificação com outros adolescentes é muito importante para formação do caráter social do ser. Isso se expressa através de ligações amigáveis fortíssimas que muitas vezes são confundidas com amor, daí que vem o termo “amizade-colorida”.

Leonardo hostilizado pelos colegas 
Um belo dia chega à escola, mais precisamente na sala de Leonardo e Giovana um novo aluno chamado Gabriel (Fabio Audi), que também tem que suportar as brincadeiras de mau gosto dos novos colegas, por sorte, Giovana simpatiza com ele e o chama para acompanha-los e eles formam um trio.

É interessante observar essas cenas por mais sutis que sejam, mas com um grande significado por traz, sendo protagonizadas por atores tão jovens. O filme mostra um período certíssimo onde à descoberta do corpo e da sexualidade se aflora, só que o cinema atual não está acostumado a tal demonstração, e muito menos o público contra a homossexualidade.

As idas e vindas da escola para casa proporcionaram a Gabriel e Leonardo, grandes oportunidade de se conhecerem mais. Até que um dia o professor de história propõe um trabalho que deveria ser feito por duplas unissex, e os dois combinam de fazer o trabalho na casa de Leonardo. Gabriel vai até a casa de Leonardo para fazer o trabalho, como estava muito calor ele tira sua blusa de moletom e pede para ir ao banheiro escovar os dentes, que, na verdade, era uma estratégia para conseguir pistas se o amor que ele tinha por Leonardo era ou não correspondido, o que se provou quando Gabriel viu que Leonardo cheirou sua blusa que estava em cima da mesa.

No dia seguinte na escola, Leonardo confessa para Giovana que estava apaixonado por Gabriel, aí temos um momento que nos deixa uma dúvida se Giovana tinha ciúmes do Leonardo do Gabriel ou dos dois. Giovana surpresa pela notícia e pela descoberta de que Leonardo era gay, arranja uma desculpa para sair, com a promessa de passar na casa dele mais tarde, e, nesse dia, Leonardo vai sozinho para casa, pois, Gabriel tinha dentista depois da aula.

Quando Leonardo esta sozinho em casa, Gabriel chega sem se anunciar, e ele pensando que era Giovana dispara a falar sobre o assunto que discutiu com ela na escola, dizendo que estava apaixonado por Gabriel, que nesse momento ficou quieto e não disse uma palavra, apenas o beijou e saiu.

Inesperado, não somente pelo beijo, mais pelo mistério proporcionado por ele, pois só depois Leonardo descobre que quem o beijou foi Gabriel e não Giovana.

O filme é mais que recomendo para quem gosta deste tipo de história. Mas, a maior lição que podemos aprender é que se pode existir amizades que ultrapassem os limites, que amor não escolhe sexos e sim algo que complete você de dentro para fora, além das outras lições secundárias, mas não menos importantes da tolerância e do respeito à diversidade física e sexual.

O Curta

Filme completo

terça-feira, 25 de novembro de 2014

TIRANDO O CHAPÉU OU NÃO

Silas Malafaia e Raul Gil
No último sábado estava assistindo ao “Programa Raul Gil” no SBT mais especificamente o quadro “Tirando o Chapéu” que contou com a presença do líder religioso Silas Malafaia da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Expressando sua opinião sobre diversas personalidades com seu modo acalorado de discurso, chegamos ao chapéu mais polêmico, o da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), única instituição a ser apresentada dentre os dez chapéus, a qual ele não tirou.

Na sua explicação ele diz que faz uma separação entre os homossexuais e os ativistas gays e que não discute as questões das praticas sexuais, classificado por ele como pecado, e sim de uma ideologia de gênero que, segundo ele, quer se implantar em todo o Brasil.

Segundo ele os ativistas gays querem de certa forma ensinar o “homossexualismo” nas escolas, que causaria uma mudança de paradigmas na sociedade. Ele cita também o PL 5002-2013 do deputado federal do Rio de Janeiro pelo PSOL Jean Wyllys e da deputada federal do Distrito Federal pelo PT Érika Kokay, que dispõe sobre o direito à identidade de gênero.

Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais,
Travestis e Transsexuais.
Realmente dentro da política LGBT e da cultura GLS há certa divisão entre ativistas e não ativistas, o que causa ranhuras e brechas dentro da categoria desfavorecendo a aceitação das políticas apregoadas pelo ativismo.

Políticos cuidam de políticas, ativistas cuidam de causas e pastores cuidam de ovelhas. Silas Malafaia atendendo ao último requisito deveria se ater ao lado religioso do assunto, que é justamente a pratica, coisa que ele não discute. Para discutirmos a ideologia de gênero partimos para o campo do ativismo, estando nessa esfera ele também se torna um ativista, um ativista religioso.

Ideologia de gênero é uma coisa difícil de explicar, porém vou tentar. Primeiramente precisamos nos livrar das ideias da heteronormatividade, heterossexualidade é um dos perfis sexuais dentro da sexualidade humana, existem outros dois a homossexualidade e a bissexualidade.

A maioria das pessoas não entende isso como sendo normal, pois há uma cristonormatividade, que é o pendor dos fundamentalistas, que são ativistas, a colocar todo tema social ou qualquer vivencia nas formas do cristianismo.

Transgeneridade
Orientação sexual e a identidade gênero dos indivíduos são o resultado de um constructo social e que, portanto, não existem papéis sexuais essencial ou biologicamente inscritos na natureza humana, antes formas socialmente variáveis de desempenhar um ou vários papéis sexuais.

Ideologia de Gênero.
Chegamos então ao ponto crucial, a formação da ideologia de gênero, que diz que a criança nasce sem um sexo definido. Quando a criança nasce não deve ser considerada do sexo masculino ou sexo feminino; depois ela fará esta escolha. Essa ideologia já está em vigor em países como a Suécia e a Holanda.

Se eu fosse um ativista extremista concordaria com o parágrafo acima, porém a ideia de ideologia de gênero é um tanto agressiva no que se refere a sexo biológico, creio sim que geneticamente nascemos com um sexo macho ou fêmea, com o passar do tempo adquirimos sim uma identidade de gênero que é como nos entendemos e nos portamos perante a sociedade no trato dos nossos papeis sexuais e por fim chegamos à orientação sexual que é para onde direcionamos nossa libido.

Quando a ensinar o “homossexualismo” na escola, fazendo referencia ao “Kit Gay”, primeiramente já está errado só pelo termo empregado. Ele como psicólogo deveria saber que em 1999, o Conselho Federal de Psicologia formulou a Resolução 001/99, considerando que “a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão”, que “há, na sociedade, uma inquietação em torno das práticas sexuais desviantes da norma estabelecida sócio-culturalmente” (qual seja, a heterossexualidade), e, especialmente, que “a Psicologia pode e deve contribuir com seu conhecimento para o esclarecimento sobre as questões da sexualidade, permitindo a superação de preconceitos e discriminações”. Assim, tanto no Brasil como em outros países, cientificamente, homossexualidade não é considerada doença.

Por isso, o sufixo “ismo” (terminologia referente à “doença”) foi substituído por “dade” (que remete a “modo de ser”).

"Kit Gay"
O único erro ou quase erro do “Kit Gay” (conste que votei contra) foi ao tentar distribuir esse material contendo apenas uma face da sexualidade humana, quando ali deveria conter os três perfis. Contudo, que isso sirva de alerta, quanto antes começarmos aulas de educação sexual nas escolas melhor, com isso conseguiríamos um amplo espaço para discussão com as gerações futuras de temas que hoje são um tabu, como por exemplo, o aborto e a homossexualidade.

Paradigma não é uma coisa boa, nunca foi e nunca será por isso precisamos quebrá-los. O grande desafio é quebrá-los de uma forma justa e isso só vamos conseguir com uma educação que nos ensine a pensar e não a obedecer.

Para encerrar o PL 5002-2013 está corretíssimo ao liberar os indivíduos que queiram fazer a Cirurgia de Redesignação Sexual (CRS) de avaliações psicológicas, visto que isso não é nenhuma doença ou transtorno psicológico. Todos são livres para fazer uso e transformações em seus corpos que melhor lhe aprouver sem que tenha uma pessoa que diga “isso é errado, você está doente”.



sexta-feira, 21 de novembro de 2014

CRÍTICA AO CURTA: “O BOLO”

“O Bolo” é um curta metragem (12min.) dirigido por Robert Guimarães, lançado em 2010 o filme conta com elenco de Eriberto Leão, Felipe Abib, Catarina Abdala, Fabiula Nascimento, Flavio Bauraqui e Kiko Mascarenhas. Seguindo o gênero comédia o curta narra à história da empregada Dirce (Fabiula Nascimento) uma empregada doméstica religiosa que trabalha para Cadu (Eriberto Leão).  Ao limpar a casa onde aconteceu uma festa na noite anterior, a jovem diarista se depara com as sensações provocadas pelo doce “mágico”, o bolo feito com um toque de marijuana, que despertam a sensualidade da empregada.
Da esquerda para a direita: Eriberto Leão,
Fabiula Nascimento e Robert Guimarães.

Eu ri demais, é muito engraçado, mas o filme apesar de ser uma comédia na verdade funciona muito bem como critica social no tocante a defesa das liberdades pessoais e do uso recreativo da maconha, e aqui quero abrir um parêntese, não acho que o uso recreativo da maconha seja uma coisa boa, tenho certeza. O filme foi construído sobre essa temática, contudo como nenhum bolo contém apenas um ingrediente, Robert Guimarães acrescenta temas como a homossexualidade e a religiosidade.

“As pessoas podem viver suas
liberdades individuais dentro de um conjunto”
Robert Guimarães

É interessante notar que o filme não levanta bandeiras impositivas como vemos hoje nessa guerra por direitos, todas as questões tratadas são de certa forma orgânicas e se desenrolam de forma natural e até irônica.

Uma coisa muito interessante que vi através do filme foi quanto ao uso culinário da Cannabis sativa, até então conhecia apenas os famosos Coffeeshops, estabelecimento onde a venda de maconha para consumo pessoal é tolerada pelas autoridades locais. Além da venda destes produtos, a maioria dos Coffeeshops também vendem comidas e bebidas. Existem também agora os Cannabis Foods, que são alimentos feitos com cannabis em ervas ou resina forma como ingrediente. Eles são consumidos como um meio alternativo de entrega para experimentar os efeitos de canabinóides sem fumar ou vaporizar a cannabis.

A articulação dos temas da diversidade e da tolerância religiosa é bem vista também, isso podemos ver através do mix de religiões de seus personagens desde evangélicos, umbandistas e hinduístas que convivem no filme, de forma pacífica com o diferente. A principal mensagem do filme, de certa forma subliminar, seja essa questão da mistura de ingredientes diferentes para formar o bolo que todos comem e se deliciam. A diversidade traz essa mensagem.
Kiko Mascarenhas, Eriberto Leão e Felipe Abib.

Pra terminarmos, apesar do diretor propor essa temática homossexual acredito que não se tenha aprofundado tanto nessa questão no que se refere às cenas tradicionais que vemos, por exemplo, nas novelas da Globo e nos outros filmes. Contudo, o cinema tem esse papel de representar com mais profundidade, fidelidade, riqueza e menos estereótipos essa questão. 

O curta “O Bolo” ganhou prêmios como Melhor Filme no Festival Mix Brasil 2010 – SP e no Inffinito Brazilian Film Festival na Argentina.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

ENTREVISTA: AMBIGUIDADE NOS ESTILOS MUSICAIS RELIGIOSOS.

Assisti a um vídeo nessa semana com uma música evangélica tocada em ritmo de funk, o que é singular tratando-se do caráter religioso da mesma.

E é incrível como há falta de material para a produção de um artigo aceitável no que se refere à temática do “funk evangélico”. Contudo basta uma pesquisa rápida na internet para descobrir que existe um vasto repertório desse estilo musical. Pensando nisso o blog “EVOLUÇÃO E REVOLUÇÃO” faz uma entrevista com seu editor Matheus Vilela. Transcrição abaixo.

ENTREVISTA: AMBIGUIDADE NOS ESTILOS MUSICAIS RELIGIOSOS.

Blog: Bom dia Matheus, qual sua opinião sobre o funk?

Matheus: Bom dia, o funk é um estilo musical assim como todos os outros, porém devido a transformações passadas no processo de exportação do gênero tornou-se banalizado e sinônimo de luxúria, ostentação, drogas e criminalidade. Eu realmente não tenho nada contra ao estilo nem aos adeptos do mesmo até gosto de alguns como, por exemplo, o funk “Eu só quero é ser feliz” do Rap Brasil que funciona como crítica social, por falar nisso, o funk é a voz do gueto, dos morros e da população que é oprimida nas favelas.

Blog: Qual é a problemática do funk hoje?

Matheus: Confesso que até hoje não sei [risos], mas posso apontar alguns, como por exemplo, o funk não é reconhecido como cultura pelas pessoas que se acham culturalizadas por ouvirem outros estilos musicais. Isso abre precedente para o preconceito cultural bem como a internalização do funk como subcultura adepta por cidadão a margem da sociedade, mas gostaria de ressaltar que o famoso funk ostentação, mais tocado em São Paulo, é muito aceito nos meios da classe média. Não sei dizer também se um dos problemas seja o ritmo ou a batida que instiga a malandragem e a sacanagem, talvez a letra do “funk proibidão” que incita a sensualidade de forma pejorativa. Até aqui tudo isso vemos nos filmes, novelas e músicas internacionais que as pessoas ouvem e não entendem nada, como por exemplo, a música “Bad Romance” que fala sobre prostituição e a música “Americano” que fala de casamento gay, ambas da cantora pop Lady Gaga, poderia citar também a cantora Amy Winehouse com as músicas “Back to Black” “You Know I'm no Good” e “Rehab”  que fazem referencia ao uso de drogas e álcool. Outro problema muito citado é o volume que essas músicas são tocadas em ambientes públicos, veja bem, o funk sim pode ser tocado em ambientes públicos, contudo a limites Hz e horário para se tocar.

Blog: O que precisa ser feito para alcançarmos um dia à convivência pacifica entre funk e sociedade?

Matheus: Primeiro, os funkeiros fazem parte da sociedade, então a luta seria para o reconhecimento do funk como cultura e estilo musical, é o começo, mas não é tudo, essa é a parte que cabe aos cidadãos não funkeiros, a mais difícil de mudar, pois os mesmos vão ter que despir a capa hipócrita que os cobre. Segundo, os cidadãos funkeiros têm de aprender a respeitar os limites legais para tocar músicas em público. Tudo isso é o principio da convivência pacifica respeito, reconhecimento e cidadania.

Blog: Entrando mais especificamente no tema da nossa entrevista, o que é a ambiguidade dos estilos musicais no ambiente religioso?

Matheus: Vamos lá, hoje no ambiente religioso, vou falar assim, pois não quero fazer referências à denominação nenhuma, há alguns estilos musicais considerados mundanos que são aceitos e outros não. Exemplos, o rock e o pagode ou samba. O rock teve em um momento de sua história mais especificamente na década de 80, uma fórmula tríade de se escrever as musicas geralmente focadas em sexo, bebidas e drogas, esse estilo é tocado hoje nas igrejas. O pagode ou samba que por muito tempo teve como objeto concreto a frequência de bares e cerveja, ganhou até um slogan “sou brahmeiro”, sinônimo do arquétipo do cara comum, traz consigo os valores da vida devassa e da boêmia, estilo que também é tocado nas igrejas. Contudo o funk não é muito aceito justamente por carregar as marcas que citei acima, mas se formos analisar os outros estilos também carregam marcas, mais uma vez a hipocrisia. Isso é a ambiguidade.

Blog: Você sabe dizer quais são os argumentos dos religiosos para a não aceitação do estilo musical nas igrejas?

Matheus: Não sei dizer exatamente, pois estou fora do meio ultimamente, mas acredito que seja por tudo isso que já falei a respeito do funk. Há certas incertezas também nos argumentos deles. Quando se toca um funk com uma letra infantil ou sem baixaria eles gostam e curtem até dançam se possível. Inserir isso na igreja, não, pois o funk já tem rótulo, mas em ambientes externos sim. Aí gera dubiedade, pois se o problema é a letra se resolve colocando outra. Penso agora que o problema seja o ritmo, não sei. Se formos pensar em rótulos a vida toda, nunca vamos fazer nada.

Blog: Pra encerrarmos, você concorda com a aceitação do estilo musical nas igrejas?

Matheus: Sim, com restrições [riso]. Não vejo problemas na aceitação do estilo por igrejas locais que não sigam a um vaticano, contudo acredito que isso não deva se tornar o único estilo, pois as igrejas e a religião já tem seu estilo musical majoritário, a música gospel, caracterizada por uma harmonia simples, pelo gênero folclórico e pela intensa influência do blues, um estilo mais leve voltado à adoração, principal atividade nos cultos religiosos. O funk por ter um estilo mais dançante não atenderia todo o público que frequenta uma igreja. Acredito também que caiba uma revisão dos estilos aceitos (rock, pagode ou samba, rap, hip hop, black  etc...) para por fim a essa ambiguidade.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

CRÍTICA AO FILME: "UMA PASSAGEM PARA MÁRIO"

Cartaz do filme.
Uma passagem para Mário é um longa metragem (77min.), dirigido por Eric Laurence e estreou no cinema recentemente no dia 6 desse mês. O filme faz um mix dos gêneros aventura, biografia, documentário e drama. Na verdade é uma reflexão sobre o que é a vida, o sentido das amizades e a morte.

Mário, o personagem principal da história, é um jovem que está lutando contra um câncer no fígado, a partir daí ele começa a fazer filmagens caseiras do seu cotidiano e se propõem a fazer uma viagem juntamente com seu amigo Eric Laurence o diretor do longa, de Recife (PE), atravessando a Bolívia, até chegar ao deserto do Atacama no Chile.

“o desafio que a gente tem muito grande hoje
é desmistificar o tratamento”

Dr. Iran

Roteiro da viagem.
A viagem estava marcada para acontecer no dia 19 de outubro passado, porém Mário morre antes de começa-lá então Eric decide realizar a viagem sozinho, filmando e registrando todas as imagens ele consegue ao final de tudo concluir esse filme juntando algumas das filmagens de Mário ao seu roteiro.

O filme revela o quanto somos pequenos nessa vida, estamos todos aqui numa passagem a pergunta que temos que nos fazer é uma passagem para onde? Apesar dos 75 anos de estimativa de vida que temos é um tempo muito curto, o que faremos nesse tempo? A viagem de Mário é um rito de passagem, uma viagem de autodescobrimento que todos nós um dia devíamos fazer para descobrir quem somos qual nosso objetivo nessa vida e para onde vamos.

“Hoje eu tenho que resolver as coisas da passagem”
Mário

Todos nós lutamos contra a natureza, contra o tempo, porém sempre perdemos essa luta porque estamos com uma doença terminal, a morte. Todos os nossos esforços para uma vida saudável de qualidade não será capaz de reduzir nosso fim, a única coisa que varia é o tempo em que vamos embora.

A nossa vida não da para ter um roteiro, não da para fazermos planos a longo prazo, afinal não sabemos se vamos estar vivos daqui a um minuto.

Mergulho de Mário.
A questão do mergulho no inicio do filme é muito interessante, pois a água está ligada ao nascimento e a renovação, nascemos da água dependemos dela e não há vida sem ela. Talvez a cena mais antagônica do filme seja na conclusão dele, quando Eric terminai sua viagem e entrega as memórias de seu amigo no deserto do Atacama, Mário está nadando no deserto.

A motivação maior para a feitura do filme foi à amizade, um amor compaixão que está mais associado ao suporte social e ao apoio mútuo em momentos difíceis, sendo também considerada uma forma de amor mais altruísta, sentimento hoje que muitas vezes é confundido com amor companheiro associado à amizade ou gostar intenso, constituindo a forma através da qual as relações românticas se iniciam. Vivemos em um mundo que está contra os sentimentos, o sistema pede que não sinta. Não podemos ter amizades verdadeiras.

Falando agora dos aspectos da morte, a morte não é o final é o começo. Todos estão presos a ciclos e o ciclo da vida se compõe da seguinte maneira, nascemos, crescemos, reproduzimos e morremos, essa é a realidade de quem está vivo. Quando morremos nos integramos à realidade da Terra, antes fazíamos parte do todo agora fazemos parte da Terra e tudo isso acontece quando deixamos de existir, terminamos nossa jornada assim.

Pouca importância teria em ser eterno teríamos muito que contar, porém nossa morte não seria sentida. Quando na verdade devíamos viver a cada dia tentando conquistar nossos objetivos, vivemos mais que todos, porque a cada dia nos esforçamos por viver. Outras pessoas deixam o tempo passar para saber se vivem.

As pessoas que vivem bem, que sonham que riem, que se divertem, são as pessoas que estão vivendo. Por mais que seu trabalho seja o melhor do mundo se não está com seus amigos, não se diverte você pode ganhar muitas coisas, mas onde isso leva?

Cemitério de trens.
Os bens materiais que conquistamos nessa vida e o dinheiro guardado do nosso trabalho não vão conosco para a outra vida, então porque se matar de trabalhar, economizar e não ter tempo para o que realmente nos faz feliz?

Muitas pessoas que morrem são nossos companheiros durante o resto de nossas vidas porque eles nos elegem como opção, porque são nossos companheiros espirituais e muitas vezes nós os sentimos. Muitas vezes nossas necessidades, são as necessidades de pessoas que já partiram, temos que saciá-las.

“Ele tem que viajar ele tem que partir”

Último registro de Mário.
A "Melhora da Morte" é quando um paciente, que está prestes a morrer, geralmente desenganado, apresenta, de uma hora para outra, uma melhora súbita em seu estado geral, justo quando ninguém mais acredita ou espera sua recuperação. Essa melhora mexe novamente com as esperanças da família. Porém, no dia seguinte àquela melhora, o paciente morre. Mário estava assim em sua última gravação, subindo as escadas ele da adeus a esse mundo e isso revela a força dessa jornada espiritual.
“Eu vou sendo como posso ser”
Mário

Salar do Uyuni.

Mário se foi, porém suas memórias e seu espírito permaneceram com seu amigo, que caminhava ao seu lado quando o mesmo chega ao Salar do Uyuni a 3.656 metros acima do nível do mar onde céu e terra se encontram. Esse encontro era o prelúdio do maior desafio de toda a jornada, o deserto, e antes de começa-la Eric constrói um monumento de pedra em memória de seu amigo a beira de uma rocha.

O deserto está relacionado com a busca da realidade. Esta extensão imensa e estéril, em que as paisagens aparentemente se repetem, é o local ideal para um encontro com o interior de cada ser humano. O deserto simboliza uma espécie de busca interior ou exterior, simultaneamente um local de tentação e um meio ideal para a obtenção da salvação divina da alma.

Uma cena antológica na entrada do deserto é a semelhança do som e da estética da tempestade de areia e das bolhas d’água durante o mergulho.

A jornada finalmente chega ao fim quando Laurence entrega sua viagem a Mário deixando que ele nade entre as pedras do deserto. É o fim, Laurence consegue realizar o desejo de seu amigo que viu a viagem toda, pois estava em seu coração.


Deserto do Atacama.